Review: Hades II é o ápice do roguelite moderno

Hades II é muito mais que uma simples sequência, ele é uma evolução incrível que se expande em sua própria identidade. O jogo mantém a estrutura que consagrou o primeiro jogo, mas introduz aos jogadores novos sistemas, progressão modificada e uma narrativa mais madura. A experiência aqui não possui a leveza de Zagreus, o que é excelente, porquê nos dá uma narrativa mais densa e ambiciosa.

Seria muito fácil se escorar na fórmula de sucesso já apresentada, mas a Supergiant Games tem ousadia de arriscar. O novo título não tem medo de ser diferente e busca seu próprio espaço, refinando mecânicas e transformando o ciclo de tentativa e erro em algo ainda mais significativo. Morrer não significa o fim, mas sim uma nova oportunidade de recomeçar. Cada derrota não é apenas uma oportunidade de aprender com seus erros, mas também te oferece novos recursos e caminhos.

A nova jornada nos coloca no papel de Melinoe, irmã de Zagreu, filha de Hades e Perséfone. Diferente de seu irmão, a jovem se vem pronta para os desafios, visto que foi treinada por Hécate desde muito nova. Ela é confiante e constantemente nos passa a sensação de que está pronta, mesmo antes de começarmos a primeira partida. No entanto, sua confiança não é o suficiente para o que está por vir.

O vilão principal da vez é Cronos, o Titã do Tempo, que aprisionou a família de Melinoe e agora controla o submundo. A narrativa aqui não permite leveza e humor como vimos com Zagreus, desde o inicio somos apresentados ao tom maduro que contrasta com o peso emocional carregado pela protagonista.

A história não é linear e simples, algo normal para o gênero. Ela é construída tijolinho por tijolinho. A cada tentativa, morte e recomeço, novos diálogos, personagens, chefes e interações com deuses formam a narrativa e constroem o mundo apresentado. Cada retorno ao hub central modifica um pequeno detalhes do mundo e suas relações, fazendo com que a narrativa esteja sempre evoluindo, mesmo na falha.

Inicialmente pensamos e focamos em vencer Cronos e salvar nossa família. Mas não, a jornada vai muito além disso. Constantemente aprendemos como todo esse caos impacta diretamente todos a nossa volta. Além disso, o desenvolvimento de Melinoe torna tudo ainda melhor, vista como uma grande guerreira inicialmente, ela mostra seu lado mais vulnerável. Se tornando mais “humanizada”.

Se a narrativa nos prende pela forma gradual que é construída, a jogabilidade nos deixa em êxtase por seu loop bem ajustado e progressão contínua. Hades II utiliza a base criada no primeiro jogo, onde cada tentativa nos apresenta um novo caminho, novas histórias, novos poderes e recompensas.

A morte continua sendo parte crucial da jornada e evolução. A frustração por morrer existe, mas em menor escala. Aqui, é essencial morrer para melhorar. Esse recomeço estratégico permite a aquisição de melhorias permanentes, novas Armas Noturnas e Lembranças. O que inicialmente parece punitivo para quem não é acostumado, se torna incrível a cada tentativa.

A morte não é o fim, mas sim um recomeço! Aproveite e volte ainda mais forte.

O combate apesar de “simples” evoluiu e é um dos pontos mais fortes da experiência. Melinoe possui ataques básicos através de suas armas noturnas, dádivas concedidas pelos deuses e magias focadas em bruxaria.

E é justamente nesse ponto que a personagem expande o combate, as conjurações e poderes de bruxa que ela utiliza torna-o ainda mais envolvente. Por exemplo, inicialmente podemos conjurar um círculo mágico que prende os inimigos e aumenta o dano realizado.

Ao longo do jogo desbloqueamos diversas mecânicas, no entanto, os Sortilégios, devem receber um grande destaque. Eles mudam a estratégia e rumo de cada partida, permitindo usar magias variadas como explosões em área ou transformar seus inimigos em ovelhas. Além disso, essa mecânica possui uma árvore de habilidade própria dentro de cada partida, dando um pontinho extra de estratégia ao combate e escolhas.

As Armas Noturnas são o ponto principal do combate, afinal de contas, é sua opção primaria de ataques. Cada arma possui seu próprio ritmo de ataques, além de todas possuírem ataques carregados. A variação de armas é impressionantes, indo de um cajado de bruxas até lâminas duplas e o o Crânio Argênteo. O jogo incentiva a experimentação, já que cada nova arma gera diversas variações de builds.

As Dádivas concedidas pelos deuses são o coração da personalização de cada partida. A partir dessas habilidades que adicionam efeitos elementais e são capaz de alterar o rumo de sua partida dependendo de suas escolhas. Claro, é preciso estudar cada passo, pois, existem habilidades que juntas não valem a pena.

Falando nisso, o sistema de sinergia será essencial para o seu futuro. É preciso saber criar boas combinações, existem algumas bem poderosas e que vão tornar sua vida mais fácil, no entanto, existem outras que podem dificultar sua vida. Como a experimentação é constante, o jogo vai te dar constantemente novas oportunidades para não seguir o mesmo padrão.

Outro ponto que pode modificar cada partida são as Lembranças. Elas são equipáveis e interferem diretamente em aspectos do personagem, mas também podem influenciar diretamente em encontros, recompensas e Dádivas, adicionando um pouco mais de estratégia às suas escolhas.

Agora junte tudo isso ao sistema de progressão e sistemas de melhorias permanentes. Entre uma morte e outra é possível desbloquear novas habilidades e melhorar atributos. Para diversos desbloqueios e melhorias é preciso coletar itens durante as partidas para realizar atividades como alquimia e rituais. O jogo se expande muito além do simples combate, oferece opções que expandem narrativa, combate e atividades secundárias.

Mas se você acha o jogo punitivo e não tem paciência de morrer tanto, tá tudo bem, a Supergiant trouxe de volta o Modo Deus. Essa opção permite que a cada morte você tome menos dano, até que chegue a 80% de defesa.

Visualmente, Hades II preserva a identidade artística do primeiro jogo, com um maior nível de detalhes e polimento. Os personagens possuem maios expressividade e designs que reforçam ainda mais suas origens e personalidades. As ilustrações durante os diálogos continuam sendo um ponto forte, reforçando o carisma e atmosfera da obra.

Os cenários são um destaque à parte, apresentando maior variedade e profundidade. Durante o combate os efeitos de luzes, cores e animações criam um espetáculo em meio ao caos. E claro, a trilha sonora complementa o conjunto com maestria. As composições de Darren Korb se adequam para cada situação, seja mais enérgica no combate ou melodias atmosféricas que reforçam a mística do submundo.

O desempenho é padrão Supergiant Games! O jogo roda a 60fps durante todas as partidas, até mesmo durante os combates mais intensos. Além disso, o tempo de carregamento é praticamente inexistente, permitindo um recomeço mais rápido.

Desenvolvedora: Supergiant Games
Console: PlayStation 5
Agradeço a publisher pelo envio do jogo para review.
10
Hades II é o ápice dos roguelites modernos. Ao invés de se sustentar em todos os acertos do primeiro jogo, temos uma evolução notável em todos os aspectos. Um dos melhores jogos de 2026!
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