Monster Crown: Sin Eater vai muito além de um jogo no estilo “Pokémon”, o jogo aposta em sua identidade para ir muito além dos jogos que apenas copiam a fórmula de sucesso. O jogo utiliza a base clássica, onde os jogadores devem explorar, capturar monstrinhos, evoluí-los e utilizá-los em batalhas por turno. O grande diferencial aqui é a narrativa mais madura e um mundo opressor, além um robusto sistema de personalização.
Em poucas horas já percebemos que Sin Eater não quer ser apenas um clone de Pokémon, mas sim, ser lembrado por sua forte identidade. O jogo é mais sombrio, brutal e até mesmo desconfortável. E isso funciona muito bem, cria uma personalidade forte dentro de um gênero que é muito infantilizado e repete a fórmula constantemente.
A aventura coloca o jogador no papel de Asur, um garoto que após passar por uma grande tragédia inicia uma jornada de vingança contra Lord Taishakuten e sua organização “Ordem Sagrada”. Diferente de jogos como Pokémon e até mesmo TemTem, as criaturas aqui não são tratadas como meros mascotes, mas são animais reais. Alguns servem para combate, outros para trabalho e até mesmo temos casos de maus tratos, experimentos e afins. O mundo não tenta ser amigável e lindo, ele mostra uma realidade que cabe até mesmo no mundo real.
A narrativa aposta em temas profundos e violência, em diversos momentos temas mais adultos como corrupção política são abordados. O jogo te força a realizar escolhas que são impactantes e interferem diretamente nos acontecimentos da campanha. Além disso, ele possui uma estrutura pouco linear, permitindo explorar diferentes áreas na ordem em que o jogador achar melhor.
No entanto, o jogo peca em equilibrar suas ideias, muitas vezes exagerando no tom. Em certos momentos, o jogo parece querer apenas chocar o jogador, seja por cenas violentas ou diálogos. O sentimento é que o jogo tenta constantemente provar que não é mais um jogo clone, e sim um jogo maduro e sombrio. Ainda assim, o jogo consegue prender do inicio ao fim, até mesmo pelo ritmo que entrega.
As batalhas seguem o padrão clássico do gênero, possui um sistema por turnos. É preciso capturar criaturas, montar sua equipe e utilizá-la da forma mais precisa durantes os combates, sabendo usar a vantagem elemental contra cada inimigo. Porém, Sin Eater vai muito além, trazendo ainda mais estratégia ao gênero.
O jogo possui cinco tipos de elementos: Will, Brute, Malicious, Unstable e Relentless. Um dos diferenciais é que o jogo não obriga os monstros a manterem sempre as habilidades do mesmo elementos, podendo aprender variações dos outros. Tornando as batalhas mais imprevisíveis. Além disso, o sistema de Synchro, permite ataques mais poderosos ao utilizar a versão “Crown” das habilidades.
Enquanto em jogos do gênero o treinador não tem participação direta, aqui Asur é parte central. O protagonista utiliza armas de fogo e habilidades especiais que ajudam durante os confrontos mais difíceis. O combate se torna mais dinâmica e dá uma identidade maior ao jogo.
O maior destaque de Sin Eater é seu sistema criação de monstros, que mecânica bem feita e diferente! O jogo possui cerca de 200 monstros base, mas com o sistema de breeding e fusão, é possível criar mais mil variações. O breeding funciona de maneira clássica: dois monstros geram um ovo com características herdadas dos pais. Enquanto a fusão consome duas criaturas para uma criar uma nova instantaneamente.
A personalização vai muito além da aparência. Os monstros podem herdar atributos, habilidades, tipos e características passivas únicas. Isso transforma o jogo praticamente em um laboratório gigante para quem gosta de testar builds e criar equipes diferentes. No entanto, o jogo possui tanta mecânicas que não consegue explicar todas, fazendo com que o jogador aprenda na base da curiosidade ou pesquisando em wikis.
Além disso, apesar de divertida e estratégica, a jogabilidade é muito desbalanceada. O mundo aberto não possui level scaling, tornando possível ficar forte cedo demais. Se o jogador explorar um pouco mais ou utiliza com sabedoria o sistema de criação, é possível criar uma equipe extremamente poderosa.
A exploração e o vasto mudo de Crown Nation é um dos maiores acertos do jogo. Após a introdução e alguns eventos, praticamente tudo fica disponível para exploração. O jogador pode explorar diferentes províncias, cidades, cavernas, torres e áreas opcionais que estão espalhadas pelo mapa. O jogo aposta na sensação de descoberta de RPGs clássicos. Ao desbloquear habilidades como nado ou destruir obstáculos, novas possibilidades se abrem em antigas regiões.
Outro destaque muito legal é que os monstros se comportam de forma diferentes no mapa. Alguns fogem do jogador, outros perseguem agressivamente e alguns deles são atraídos por comida. O sistema de iscas se torna fundamental para a captura de novos monstros durante a exploração.
Apesar de toda essa liberdade, alguns jogadores podem sentir falta de um direcionamento mais direto. Sin Eater não explica onde você deve ir. É muito fácil se perder e entrar em áreas fortes demais. Para quem é amante de descobertas e exploração, é um prato cheio. Talvez seja aqui que o jogo perca alguns jogadores. Ainda asim, recomendo fortemente para quem quer algo que vá além de um clone genérico.
Visualmente, o jogo aposta em uma estética retro inspirada na era Game Boy Color. O visual pixelado clássico se une a iluminação moderna, efeitos mais elaborados e cenários maiores. Além disso, o ciclo de dia e noite torna o mundo mais vivo e bonito. Durante o dia, os cenários são vibrantes. Enquanto a noite, as cidades iluminadas criaram uma atmosfera de aconchego.
A trilha sonora cumpre o seu papel e é um dos destaques do jogo. As músicas complementam a imersão com sua vibe retrô, equilibrando perfeitamente momentos de calmaria e batalhas intensas. Além disso, os efeitos sonoros possuem impacto real, como monstros que possuem sons característicos.
Diferente do primeiro jogo, Sin Eater é show de desempenho! O jogo está mais estável e polido, sem problemas de crashes, quedas de fps ou bugs que impedem o progresso. No entanto, assim como o lançamento do primeiro jogo: ELE ESTÁ IMPLATINAVEL NO MOMENTO! Sim, o jogo possui troféus bugados. Lembrando que o primeiro jogo ficou implatinavel por ANOS!













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