Review: Vampire Crawlers reinventa a fórmula com cartas e estratégia

Vampire Survivors foi um dos jogos mais viciantes e influentes dos últimos, onde diversas desenvolvedoras copiaram a fórmula, mas nunca atingiram o mesmo sucesso. A Poncle poderia se manter no simples, mas não, a desenvolvedora resolveu ir além e uniu a fórmula roguelite do primeiro jogo com um sistema de montagem de baralho e criou Vampire Crawlers. Mesmo que seja mais linear e possua menos conteúdo (estamos aguardando muitas DLCs), o título surpreende por sair da zona de conforto e conseguir manter o fator viciante.

A narrativa em Vampire Crawlers segue a mesma linha do primeiro jogo: Não existe, basicamente. E isso não é um ponto negativo, o jogo foca onde realmente importa, que é sua jogabilidade e progressão. As partidas acontecem em masmorras divididas entre múltiplos andares, repletas de inimigos, segredos e chefes no final de cada andar.

A progressão te coloca no ponto zero em todo começo de partida. Não há evolução durante a partida além das escolhas feitas durante ela. O progresso real e impactante acontece na vila, por meio de aprimoramentos e desbloqueáveis, que liberam novas cartas, rastejantes e possibilidades estratégicas.

A exploração apesar de simples, ela é funcional e tem um papel importante na evolução. As masmorras alternam entre combates com hordas de inimigos, eventos e recompensas, sem grande profundidade ou lugares amplos. O máximo que vai conseguir explorando é dinheiro, baús com melhorias para suas cartas, uma nova relíquia por região e itens de cura. Essa simplicidade torna cada partida rápida e direta, mesmo que após um período se torne muito superficial.

A jogabilidade é o grande trunfo aqui, compensa a falta de narrativa com sobra! O combate é o coração da experiência, combinando velocidade e estratégia. O sistema é baseado em cartas e turnos, onde a cada rodada você possui um limite de mana para jogar cartas, que podem causar dano, criar armadura, curar, comprar novas cartas e aplicar efeitos.

O grande diferencial está nos combos criados. O sistema é simples, basta ordenar o lançamento das cartas por número. Por exemplo, “0, 1, 2…”, ao utilizaram as cartas de forma crescente, você cria multiplicadores e causa efeitos em cadeia. Quando tudo se possui uma boa mão e tudo se encaixa, é possível eliminar inimigos e até mesmo chefes em um único turno.

Apesar disso, o jogo possui tutoriais iniciais que explicam o básico do básico. Mecânicas mais profundas e sistemas que podem ser cruciais no endgame são aprendidos na base da tentativa e erro. Com o passar das partidas você aprende sobre sinergias e como otimizar seus combos.

A construção do baralho é o pilar central de cada partida. Como disse anteriormente, os desbloqueáveis permitem que novas cartas surjam, fazendo com que sua estratégia mude constantemente. Com o tempo, você aprende e desenvolve builds únicas, como com cartas duplicadas se tornam “de graça”.

Existe uma grande liberdade para o jogador experienciar tudo apresentado. É possível apostar em combos rápidos e com pouca energia, focando em eliminar os inimigos no primeiro turno. Também é possível criar combos longos, focando em gerar mana constantemente, permitindo ações constantes.

Em alguns pontos, principalmente após a Torre Gallo, builds defensivas podem ajudar muito. Elas possuem um grande foco em gerar armadura e vida, tornando os combates mais lentos, mas seguros. Além disso, a minha estratégia favorita é baseada em duplicação de cartas com a Arcana que permite toda carta duplicada ser utilizada como gratuita, sem consumir mana.

Essa variedade vai muito além, basta experimentar o que vier na cabeça. Mesmo que possa parecer baseado em RNG, por nunca saber o que está por vir, basta fazer boas escolhas ao subir de níveis e ao coletar baús. Tudo depende da abordagem do jogador.

Os rastejantes, personagens jogáveis, tem papel fundamental na variação. Cada um possui habilidades próprias baseadas nas cores das cartas, que são: Roxa, azul, amarela e coringa. Essa variação tem impacto direto nas ações especificas de cada personagem. Por exemplo, Krochi, ele ganha de 5% de revive ao utilizar uma carta roxa.

Mas isso vai muito além, pois, cada personagem possui atributos próprios, com alguns sendo mais rápidos, fortes ou com maior mana. Essa variedade faz com que o fator replay seja amplo, assim como no jogo original.

Outro ponto importante é a vila, que foi citada acima. Ela funciona como o hub central, onde é possível melhorar seus atributos, ver conquistas, desbloquear novos rastejantes, ativar relíquias encontradas, forjar espaço de melhorias em cartas e selecionar uma arcana para à partida. Apesar de não ser um hub repleto de coisas, ele é funcional e não enche os jogadores de informações inúteis. Ele é simples e direto ao ponto.

Outros elementos que modificam completamente a sua forma de jogar são às relíquias, arcanas e modificadores de carta. Começando pelo sistema de modificadores, eles dão bônus quando equipados, por exemplo, 2X de dano, transformar em uma carta coringa, que sempre se beneficia de um combo, podendo ser jogada após carta. Esse recurso é vasto e possui muitas combinações poderosas.

Quanto as arcanas elas podem ser o ponto crucial entre você perder ou vencer. Elas possuem efeitos variados, como cartas duplicadas serem de graça, carregar até 5 de mana para o próximo turno e muitos outros. O sistema é simples e não exige longas explicações, mas é sempre bom aprender como utilizá-las. Enquanto às relíquias são itens secundários que permitem exibir itens no mapa, aumentar a velocidade do jogo e afins.

Juntando todos esses elementos, você ainda pode sofrer. Os chefes aqui são desafiadores e punitivos. Eles exigem domínio das mecânicas e colocam todo seu aprendizado à prova. No entanto, existe um certo desequilíbrio aqui, os chefes iniciais são muito fáceis e os 2 últimos beiram a loucura se não aprender 100% das mecânicas.

A simplicidade visual faz parte do charme de Vampire Crawlers. Com cenários e personagens simples, o jogo se sobressai quando estamos falando de efeitos exagerado. Durante o combate o jogo mantém a tela cheia de animações, brilhos e números, algo marcante do primeiro jogo.

A trilha sonora acompanha o ritmo da aventura, e, mesmo não sendo algo tão memorável, ela se adapta bem entre os trechos de batalha e exploração.

O desempenho no PlayStation 5 é perfeito! Passei mais de 30 horas jogando e em nenhum momento tive problemas de crashes ou bugs. O jogo roda de forma fluida, com o FPS travado e os carregamentos praticamente instantâneos. Nem mesmo com vários efeitos de luzes na tela, ele chegou a travar ou perder desempenho.

Desenvolvedora: Poncle
Console: PlayStation 5
Agradeço a publisher pelo envio do jogo para review.
8.7
Vampire Crawlers é divertido, estratégico e vai muito além de um simples roguelike. Misturando gêneros e com uma identidade forte, o jogo é mais um grande acerto da Poncle.
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Avatar de George Oliveira

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