Review: Starfield é incrível… e frustrante ao mesmo tempo

Starfield não esconde sua ambição desde o momento em que foi anunciado. O projeto carregava com si o peso de ser a próxima grande franquia da Bethesda, com muitos achando que seria “Skyrim no espaço”. Prometendo uma experiência espacial massiva, liberdade quase ilimitada e um universo que prenderia os jogadores por centenas de horas, no entanto, o jogo não atinge o potencial esperado.

Porém, o jogo está longe de ser ruim como muitos diziam. Ele entrega boa parte do prometido, mas também decepciona em diversos aspectos. Sem tentar esconder as raízes clássicas da Bethesda, o jogo foca na exploração, coleta de recursos, muito conteúdo secundário, customização e bugs. Muitos bugs.

Starfield coloca os jogadores no papel de um personagem totalmente customizável que acaba entrando em contato com um artefato alienígena. Esse contato chama a atenção do grupo Constellation, que tem como foco desvendar segredos do universo e entender a origem desses objetos espalhados pela galáxia. Com essa premissa, não espere uma grande ameaça que pretende destruir tudo. O jogo aposta em uma narrativa misteriosa com foco na exploração.

Após uma pequena introdução, o jogo te permite pilotar a nave pela primeira vez, gerando a sensação de liberdade imediatamente. A sensação é incrível, mas torna a campanha um plano secundário. A falta de urgência na narrativa e a demora para engrenar, faz com que o jogador passe mais tempo explorando do que em busca de revelar o mistério central.

Apenas após a primeira metade que o jogo realmente fica interessante e apresenta bons conflitos. E após isso, Starfield realmente entrega bons momentos. A história abrange temas e conflitos políticos, religiosos e militares que moldam os Sistemas Colonizados. Cada facção tem sua própria história, interesse e algumas delas as melhores missões do jogo.

É justamente no conteúdo secundário que Starfield mostra força. A Bethesda domina a criação de grande narrativas paralelas como poucas desenvolvedoras. As missões variam de espionagem, infiltração, investigações corporativas, guerras e até conflitos internos entre facções. Todo esse conteúdo paralelo são mais chamativos que a campanha principal.

O jogo sempre tenta recompensar o jogador por sua curiosidade. Entrar em locais abandonados, interceptar um pedido de socorro ou pousar em um planeta aleatório podem te levar a histórias incríveis. Mesmo que nem tudo seja memorável, o jogo não deixa a sensação de descoberta parar.

Isso nos liga diretamente à um dos pilares centrais da experiência: a exploração. Starfield tenta transmitir a sensação de vagar por um vasto universo, assim como em No Man’s Sky, e em certos momentos ele consegue. Diversos planetas possuem belos visuais, cidades enormes, paisagens exuberantes que transmitem a grandiosidade esperada.

No entanto, é aqui um dos maiores problemas da experiência. Não é fácil criar um universo tão vasto e tão cheio de vida. Muitos planetas são vazios e repetitivos. Boa parte deles funciona apenas como grandes biomas gerados de forma procedural, repetindo estruturas, inimigos e com poucos elementos que realmente torne-os atrativos.

Inicialmente somos impressionados pela escala, mas conforme as horas passam, a sensação de descoberta cai drasticamente. Rapidamente o jogo te entrega os mesmo padrões de cavernas, postos científicos e locais abandonados. A exploração perde grande parte da sua magia justamente por se repetir constantemente.

As cidades ainda entregam algo mais inovador. Muitos desses locais possuem forte identidade, como na cidade de Neon, que possui uma arquitetura marcante e expande a construção do universo. Existe um cuidado para criação de sociedades futuristas e que diferem umas das outras, trazendo de ambientes luxuosos até regiões tomadas pelo crime e desigualdade.

Fora da exploração, o combate é sólido, mas não se destaca em nenhum aspecto. O jogo funciona como um shooter em primeira pessoa com armas futuristas, como rifles de energia, escopetas, explosivos e equipamentos espaciais. Após algumas horas e bastante exploração, você já terá enfrentado todos os principais inimigos do jogo. Piratas espaciais, robôs e aliens aparecem constantemente e a estratégia para lidar com eles nunca muda.

Mesmo assim, é preciso destacar o trabalho feito no arsenal do jogo. Existe uma enorme quantidade de armas, modificadores, raridades e melhorias. O loot é parte importante aqui, incentivando a busca por equipamentos mais poderosos constantemente.

Além disso, a progressão merece ser destacada. É possível criar diferentes estilos de jogo, seja focando em habilidades de combate, exploração, ciência, diplomacia e pilotagem. Conforme evolui, novas possibilidades são desbloqueadas tanto no uso de equipamentos quanto na interação com o universo e seus personagens.

Ainda assim, para quem espera algo no estilo Skyrim, pode esquecer. As melhorias desbloqueadas não alteram a jogabilidade de forma drástica, mas trabalha com melhorias técnicas e menos impactantes. O personagem evolui, mas nem sempre é notado durante os confrontos.

Mas sabe onde Starfield realmente brilha? Na personalização de naves! Que sistema maravilhoso e denso. A construção de naves impressiona pela liberdade oferecida. É possível modificar motores, cabines, compartimentos internos, escudos, armas, sistemas de carga e toda a estrutura da nave.

E toda modificação feita impacta diretamente na jogabilidade. As alterações realizadas aparecem visualmente durante a exploração e também modificam o desempenho, velocidade, resistência e combate espacial. É satisfatório transformar uma simples nave em sua própria “estrela da morte”.

Além disso, os interiores da nave são totalmente funcionais. É possível explroar salas, corredores e módulos que foram adicionados durante a personalização. Isso aumenta e muito a sensação de imersão.

Mas infelizmente, o combate espacial não consegue acompanhar a qualidade da personalização. As batalhas inicialmente são confusas e lentas, até porque constantemente você vai perder os inimigos de vista. Muitas vezes você vai ficar girando no espaço até encontrar o alvo enquanto é alvejado por disparos de todos os lados.

Além disso, o sistema de gerenciamento de energia que era pra ser algo realmente impressionante, se torna um problema. O jogo permite redistribuir energia entre motores, escudos e armamento tempo real. Legal demais, né? Não. A execução não é nada intuitiva e te gera ainda mais problemas durante os grandes confrontos.

O título chegou ao PlayStation 5 com duas expansões de história e uma grande atualização gratuita que modificou muita coisa. A atualização nomeada “Free Lanes” trouxe viagens mais fluidas entre planetas de um mesmo sistema, reduzindo a quantidade exagerada de menus e carregamentos que o jogo possui na versão inicial.

Além disso, novos eventos espaciais, encontros aleatórios, melhorias na progressão, novos equipamentos e conteúdo de engame foram disponibilizados. Não é como se o jogo fosse “Starfield 2.0”, como aconteceu com Cyberpunk 2077, mas melhora bastante a experiência geral.

As expansões também possuem papel fundamental nisso. Enquanto Shattered Space foca em expandir os conflitos narrativos, áreas inéditas e dar ainda mais profundidade ao universo apresentado. Terran Armada possui foco no combate, trazendo novos equipamentos e melhorando a exploração espacial.

As expansões também ajudam a tornar o pacote mais completo. Shattered Space adiciona novos conflitos narrativos, áreas inéditas e mais profundidade ao universo. Já Terran Armada expande conteúdos relacionados ao combate, equipamentos e exploração espacial.

Visualmente, Starfield entrega momentos realmente impressionantes. Muitas paisagens espaciais conseguem transmitir a sensação de isolamento e grandiosidade do universo. A quantidade de planetas, nebulosas e cidades criam cenários extremamente bonitos. A direção de arte acerta e não exagera, misturando elementos futuristicos com elementos industriais.

Mas claro, o jogo não é perfeito e possui problemas clássicos da Creation Engine. NPCs possuem péssimas animações faciais, apresentando expressões artificiais e movimento nada humanos. Além disso, bugs como objetos atravessando cenários, inimigos presos e falhas físicas estão presentes. Mas calma, isso não é o pior.

O desempenho do jogo no PlayStation 5 é terrível! Mesmo com diversas melhorias em relação à versão de PC e Xbox, o jogo chega ao console da Sony apresentando crashes e travamentos constantes! Com menos de 30 minutos de jogo eu tive que fechar e abrir ele, porque travou. Sei que a Bethesda vem trabalhando para melhorar isso, mas deixa um gostinho amargo na boca, pois, achei que teríamos uma experiência ainda melhor.

Desenvolvedora: Bethesda Game Studios
Console: PlayStation 5
Agradeço a publisher pelo envio do jogo para review.
6.7
Starfield entrega uma aventura ambiciosa e divertida, com ótimo sistema de naves e momentos brilhantes. Porém, repetição, exploração inconsistente e diversos problemas de desempenho impedem o jogo de atingir todo seu potencial.
Gostou? Compartilhe em suas redes.
Avatar de George Oliveira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *