Review: Arashi Gaiden coloca o raciocínio no centro da experiência

Arashi Gaiden é mais um jogo brasileiro que chega ao mercado e traz consigo uma proposta simples, mas extremamente eficiente. Combinando combate e movimentação, o jogo transforma cada fase em um grande quebra-cabeça estratégico onde planejamento e precisão são mais importantes que reflexos. Mesmo sem possuir uma grande narrativa, a aventura encontra sua identidade na criatividade e desafios.

A campanha coloca o jogador no papel de Arashi, um ninja que precisa recuperar artefatos importantes enquanto enfrenta uma organização rival. Embora a narrativa esteja presente e possua alguns pontos bem interessantes, ela é apenas um plano de fundo para os desafios que o jogo oferece.

O jogo apresenta informações adicionais constantemente sobre personagens e expande elementos do universo compartilhado que estão criando com Pocket Bravery e seus derivados. O foco permanece sempre nas fases e nos quebra-cabeças. Quem procura uma trama densa e mais elaborada, encontrará algo bem simples aqui, mas que cumpre bem seu papel para contextualizar a progressão e dar sentido à jornada de Arashi.

Arashi Gaiden demonstra sua força na jogabilidade. O jogo possui uma identidade única, apresentando uma criatividade incrível em suas mecânicas, que inicialmetne parecem simples demais, mas se expande de forma considerável ao longo da jornada. A movimentação e o ataque são a mesma ação. Cada fase é um grande quebra-cabeça onde atravessar o inimigo significa eliminá-lo, enquanto os adversários respondem a movimentação do jogador.

A simplicidade das regras faz com que o jogador entenda o conceito básico rapidamente, mas a profundidade surge apresentando novas mecânicas. Os inimigos possuem comportamentos próprios, controlam áreas específicas do cenário e obrigam o jogador a reconsiderar sua estratégia. Encontrar o caminho correto é tão importante quando apenas derrotar os adversários.

O jogo apresenta situações variadas, tornando o ritmo da campanha único, sem parecer apenas uma repetição. Nem todos os desafios envolvem combate direto, com algumas fases apresentando armadilhas, movimentação limitada, ativação de mecanismos e obstáculos que forçam o raciocínio. Além disso, a adição de novas ferramentas, como shurikens, teletransporte, parar o tempo e mudar de direção, tornam as possibilidades estratégicas ainda mais dinâmicas.

Outro grande acerto é o gerenciamento desses recursos. O jogador possui mana, o que limita o uso das habilidades, obrigando o jogador a planejar cada ação. O sistema de avaliação, mesmo que não gere recompensas, faz com que os jogadores pensem em soluções rápidas e eficientes, incentivando o fator replay em busca de melhores desempenhos.

Por outro lado, Arashi Gaiden apresenta uma curva de dificuldade bastante agressiva à partir do ATO 3. As primeiras horas funcionam como um grande tutorial, apresentando mecânicas e como o jogo realmente funciona. No entanto, a segunda metade apresentação situações onde é necessário fazer a sequência exata de movimentos, fazendo com que perca bons minutos ou até horas em algumas situações.

Outro ponto que reforçar a dificuldade e pode afastar alguns jogadores, é que o jogo não dá dicas. Ele não oferece ferramentas para orientar, fazendo com que o jogador lide com as situações a partir da tentativa e erro. Não vou negar que a falta de orientação pode atrapalhar, principalmente em situações em que o dano é muito elevado, fazendo com que eu pensasse “Eu deveria ter melhorado a vida, não a mana”.

Os confrontos contra chefes são um dos grandes momentos da experiência. Diferente das fases tradicionais, esses encontros possuem regras únicas. É necessário lidar com bombas, projéteis e elementos que dividem o espaço com as mecânicas já conhecidas, exigindo que o jogador utilize tudo o que já aprendeu.

Essas batalhas são um teste completo das habilidades adquiridas durante a jornada, variando bem o ritmo da progressão. Entretanto, alguns chefes apresentam mecânicas pouco intuitivas, fazendo com que a derrota aconteça constantemente por falta de informações e erros estratégicos, gerando a sensação de injustiça, mas também recompensando quem não tem medo de errar.

Visualmente, Arashi Gaiden aposta em uma direção artística inspirada nos clássicos da era 16 bits. O trabalho em pixel art demonstra grande atenção aos detalhes, tanto na construção dos cenários quanto nas animações dos personagens. Templos, florestas de bambu e construções tradicionais japonesas ajudam a criar ambientes variados e visualmente agradáveis durante toda a campanha.

As animações merecem destaque especial. Os movimentos de Arashi transmitem velocidade e precisão, reforçando a natureza estratégica dos combates. Os efeitos visuais utilizados durante os ataques também tornam cada eliminação mais satisfatória e ajudam a valorizar o ritmo acelerado das fases.

Arashi Gaiden entrega uma experiência bastante sólida no PlayStation 5. A estrutura baseada em mapas compactos e movimentação por turnos permite que tudo funcione com grande estabilidade durante toda a campanha. Os reinícios são instantâneos, algo fundamental em um jogo que incentiva experimentação constante e onde o fracasso faz parte natural do aprendizado.

Desenvolvedora: Statera Studio
Console: PlayStation 5
Agradeço a publisher pelo envio do jogo para review.
8
Arashi Gaiden transforma simplicidade em profundidade estratégica, oferecendo desafios inteligentes, chefes criativos e excelente pixel art, apesar da dificuldade.
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