Review: Pragmata impressiona pela jogabilidade, mas conquista pelo coração

A Capcom é hoje a melhor desenvolvedora de jogos e isso é indiscutível! Estamos em maio de 2026 a empresa já lançou: Resident Evil Requiem, Monster Hunter Stories 3 e ainda se arriscou com uma nova IP, Pragmata. Nos tempos atuais, novas IPs são vistas com um olhar de desconfiança, mas o novo projeto da Capcom mostra muita identidade própria e aposta em uma experiência que vai além da ação.

Pragmata coloca o jogador no papel de Hugh Williams, integrante de uma equipe enviada para explorar e investigar a instalação de pesquisa lunar Cradle, após uma inteligência artificial tomar o controle do local. Logo após chegar à base, Hugh se separa da equipe e fica isolado em um ambiente hostil, repleto de máquinas assassinas controladas pela IA.

Apesar do tom inicial parecer meio “Dead Space” com robôs, a experiência muda completamente quando conhecemos Diana. A androide com aparência e comportamentos de criança é peça central para narrativa e jogabilidade, além de tornar a aventura sci-fi uma história sobre conexão, esperança e uma pitadinha de paternidade.

A história em si não possui grandes plot twists, é até bem linear e previsível. No entanto, a relação entre Hugh e Diana é o ponto alto e carrega a narrativa em suas costas. Diferente de jogos onde a criança é apenas um suporte ou motivação, Diana se desenvolve constantemente, possuindo forte presença na história. Ela participa ativamente da jogabilidade e da construção emocional da trama.

Diana surge como um grande raio de esperança na vida de Hugh. Após o personagem perder sua equipe e estar completamente abalado, ela traz força e ajuda o personagem em meio ao vazio da instalação. A cada novo progresso feito, vemos como a relação de ambos evolui de forma natural. É como se Hugh que antes receoso, aceitasse que agora aquela pequena garota seria sua responsabilidade.

Mesmo sendo uma androide, Diana tem um lado humano. A pequena é curiosa e tenta aprender sobre os sentimentos humanos, além de ser curiosa sobre como é a vida na terra. Durante a exploração diversos registros digitais e lembranças do cotidiano humano são utilizado para fortalecer ainda mais o vínculo entre os personagens.

Como um grande ‘paizão’, Hugh tenta à todo custo proteger Diana fisicamente, sendo um grande escudo para ela. E a pequena? Bem, ela cura Hugh emocionalmente. Enquanto Hugh ensina Diana sobre humanidade, sentimentos e como eles serem uma equipe importa, a garotinha faz Hugh ter vontade de continuar lutando, pois agora, ele tem algo a proteger. Todos esses aspectos são trabalhados de forma sutil, em diálogos simples e sem exageros.

A grande força narrativa e o coração de Pragmata são esses momentos. Conversas durante a exploração, Diana e suas curiosidades, o high five entre eles a cada combate, tudo isso faz com que os personagens transmitam emoção e faça você se importar com eles. Além disso, durante sua passagem pelo abrigo é possível receber pequenos desenhos da personagem ou brincar com ela, pequenos momentos em meio ao caos que fazem eles serem “pai e filha”.

Além da emoção, o jogo aborda temas ligados à inteligência artificial, assunto muito debatido atualmente. Ao longo da experiência, o jogo apresenta constantemente aos jogadores questionamentos como: “onde termina a máquina e onde começa o ser humano?”. Mesmo que Diana aja como uma criança, ela ainda consegue nos surpreender com esse aspecto.

Se a história te prende pelo coração, a jogabilidade de Pragmata se destaca por inovar em meio à mesmice da indústria. O jogo se destaca pelo sistema de hackeamento integrado ao combate. Mesmo parecendo apenas um shooter em terceira pessoa, o jogo é pura estratégia.

Os inimigos robóticos possuem uma camada de proteção que diminui drasticamente o dano. Para realmente conseguir expor seus pontos fracos, Diana precisa utilizar seu lado androide para hackear os sistemas inimigos em tempo real, enquanto Hugh utiliza suas armas para causar dano bruto.

O sistema que inicialmente parece confuso, é muito intuitivo e se torna cada vez melhor. Ao mirar em um inimigo, uma grade aparece e o jogador navegar entre ela utilizando os botões do controle até alcançar o nó final de hackeamento. O grande diferencial é que o tempo não para aqui. Enquanto você está tentando hackear, os inimigos estão indo para cima de você, fazendo com que deva resolver um pequeno quebra-cabeça e tente sobreviver ao mesmo tempo.

O sistema se torna ainda mais estratégico e robusto graças aos nós que podemos coletar. Alguns aumentam o tempo de vulnerabilidade dos inimigos, outros adicionam efeitos de confusão, superaquecimento e até mesmo a possibilidade de hackear mais de uma unidade ao mesmo tempo. Cada confronto aqui é um quebra-cabeça e você pode escolher a melhor forma de lidar com eles. O jogo está sempre introduzindo novas mecânicas e melhorias que tornam sempre prazeroso o combate.

Indo além do combate, Pragmata aposta na exploração. A Cradle é uma instalação gigante e totalmente interligada, cheia de atalhos, salas escondidas e melhorias espalhadas pelos cenários. Em algumas áreas é preciso retornar mais tarde para conseguir desbloquear caminhos secundários, visto que novas habilidades são requeridas para isso, algo bem comum em Metroidvanias. Felizmente, ao se transportar para cada área é mostrado qual foi explorada 100% e qual ainda possui itens, algo que ajuda e muito para quem não quer deixar nada para traz.

A exploração é recompensadora e sempre dá ao jogador novas melhorias para ambos os personagens. A progressão é fortemente ligada a campanha, tanto na movimentação quanto nas possibilidades de combate. Novos módulos de hackeamento são apresentados constantemente, ampliando a eficiência das armas e oferecendo vantagens especiais durante os confrontos.

O Abrigo, é um pequeno refúgio dentro da estação. Nele é possível melhorar equipamentos, participar de desafios opcionais e como já dito, interagir com Diana das maneiras mais fofas. Esse momento servem para quebrar o ritmo da campanha e dar uma pausa ao jogador durante longas sessões ou após longas batalhas.

Para quem completou 100% de todas às áreas, o jogo possui uma desafio extra intenso e bem recompensados. Além disso, a dificuldade Lunatic e o New Game + são desbloqueados ao zerar o jogo pela primeira vez. Todos esses fatores aumentam e muito o fator replay do jogo, algo muito presente em jogos da Capcom, como Resident Evil.

Outro aspecto importante da jogabilidade é a movimentação. Hugh possui um traje espacial equipado com propulsores, permitindo esquivas, impulsos no ar e até mesmo planar, todos esses aspectos são ideias para dinâmica do combate e exploração.

A mobilidade e o sistema de hackeamento andam lado a lado. Enquanto Diana está hackeando, o jogador precisa se posicionar de forma estratégia para evitar dano e poder atacar com maior precisão os pontos fracos dos inimigos.

O arsenal também é variado e constantemente introduz novas arma para Huge. Existem armas focadas em dano pesado, controle de grupo e utilidade. Algumas servem para uma área mais lenta, outras para causar dano em área e outras que são melhores contra chefes e seus pontos fracos. O jogo incentiva constatemente a adaptação, onde certos inimigos exigem abordagens específicas e a utilização de armas e habilidades certas podem moldar o futuro da batalha.

As batalhas contra chefes são um dos pontos mais marcantes de Pragmata. São durante esses combates que o jogador precisará mostrar domínio das mecânicas apresentadas, criando lutas que exigem movimentação constante, hackeamento e gerenciamento de armas e módulos de hackeamento.

Os chefes possuem padrões específicos, diferentes forma de hackeamento e arenas que possuem armadilhas, exigindo atenção constante. Além disso, o jogador também pode usar o ambiente muitas vezes para escapar de ataques em área.

A dificuldade vai variar de jogador para jogador, pois, depende da adaptação de cada um. Pequenos erros podem ser severamente punidos, especialmente contra chefes, que causam dano massivo. E é nesse aspecto que a exploração se conecta a história, fazendo com que as melhorias tornem sua vida mais fácil e menos punitiva durante os confrontos, ter uma vida maior e arma com mais dano é algo necessário para muitos combates.

Pragmata é mais um jogo que impressiona visualmente graças à RE Engine. A direção de arte que mistura ambientes futuristas e cenários decadentes é um dos aspectos mais legais do jogo. A iluminação dá um show à parte, principalmente nas áreas internas. Enquanto no exterior, o jogo transmite muito bem a sensação de isolamento no espaço. As expressões faciais são excelentes, principalmente de Diana, transmitindo toda sua animação e sentimentos.

A trilha sonora acompanha perfeitamente o clima da narrativa. Em vez de apostar apenas em músicas explosivas, o jogo utiliza faixas mais atmosféricas e melancólicas, reforçando a solidão da exploração espacial e os momentos emocionais entre Hugh e Diana. Na parte de áudio, o grande destaque é a dublagem de Mckeidy Lisita como Hugh e Marina Mafra como Diana! Que dublagem espetácular, incrível como a Capcom acertou em cheio das escolhas.

No desempenho, o jogo roda de forma extremamente estável no PlayStation 5. Os carregamentos são praticamente instantâneos, a taxa de quadros permanece consistente mesmo durante batalhas intensas e a otimização impressiona pela fluidez geral da experiência. Além disso, o uso do DualSense adiciona bastante imersão durante os combates e hacks.

Desenvolvedora: Capcom
Console: PlayStation 5
9.4
Pragmata é exatamente o tipo de aposta rara que faz a Capcom parecer intocável hoje. A relação entre Hugh e Diana carrega o jogo emocionalmente, enquanto o combate mistura ação e estratégia de um jeito extremamente criativo.
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