Saros é a nova aposta da Housemarque e impressiona por não se prender diretamente a Returnal, mas possui sua própria identidade. O estúdio traz todo aprendizado com o jogo anterior e construir uma aventura mais acessível e focada em narrativa, mas ainda intensa. O resultado? Pode agradar muitos e desagradar quem esperava uma aventura tão difícil e intensa quanto returnal.
A história nos coloca no papel de Arjun Devraj, um expedicionário enviado planeta Carcosa. O local é um grande mistério, onde diversas pessoas desapareceram e fenômenos inexplicáveis desafiam a lógica. Desde os primeiros momentos, o jogo deixa claro que aquele planeta é perigoso e algo muito errado está acontecendo.
Assim como Returnal, a narrativa se desenvolve de forma gradual, não entregando tudo de bandeja para os jogadores. O jogador precisa encontrar fragmentos de informações espalhados ao longo de suas tentativas. Essa construção baseada no mistério funciona bem e cria uma sensação intrigante à respeito daquele planeta. Além disso, adquirir conhecimento sobre os acontecimento em Carcosa se torna uma das principais motivações para seguir em frente.
Enquanto Returnal apostava no isolamento, Saros adota uma abordagem mais humana. Arjun possui membros da expedição vivos e mantém contato direto com eles, enriquecendo o universo e trazendo um fator de relacionamento para a narrativa. Cada conversa, registro e documento revelam mais detalhes sobre os objetivos e conflitos sobre os que já se foram, mas também sobre quem está preso ali.
O próprio protagonista possui um objetivo muito além de sobreviver, trazendo um peso narrativo ainda maior para suas decisões. O passado de Arjun é um ponto de interrogação inicialmente, mas acaba sendo bem desenvolvido e entregando um peso emocional extra à jornada.
E claro, tudo isso se torna ainda mais atrativo graças ao planeta. Ele reage constantemente à presença do jogador. O jogo consegue entregar ficção científica e mistério cósmico em uma atmosfera fascinante, que desperta curiosidade do início ao fim.
É na jogabilidade que a Housemarque brilha mais uma vez, fazendo com que Saros seja uma evolução natural da fórmula de Returnal. O jogo mantém toda a intensidade dos confrontos enquanto introduz novas sistemas de progressão, trazendo uma aventura mais acessível e recompensadora.
A estrutura roguelike é base da experiência. Cada morte é um novo início, modificando o cenário, inimigos e suas localizações e recursos disponíveis. No entanto, o jogo é menos punitivo que Returnal, a progressão gera avanços concretos de melhorias, então, a morte nunca é em vão.
Além disso, os recursos coletados durante as expedições são utilizado para desbloquear melhorias permanentes para Arjun, algo que não era possível em Returnal. Essa decisão reduz a frustração e permite ao jogador ir para biomas mais fáceis e conseguir recursos para melhorar o personagem.
O combate contínua sendo rei e o coração da experiência. Arjun possui uma ampla variedade de armas, cada um oferecendo características e estilos de jogo distintos. Pistolas, rifles, chakrams, shotguns e diversos armamentos trazem uma diversidade absurda para a jogabilidade. Além disso, todas as armas possuem passivas secundárias que ampliam ainda mais as possibilidades estratégicas.
A movimentação também foi refinada, trazendo saltos, esquivas e um deslocamento aéreo mais ágil. No entanto, o grande destaque é a possibilidade de absorver projéteis com seu escudo. Essa nova mecânica não só neutraliza os ataques inimigos, mas também os convertem em habilidades especiais. Essa simples adição transforma fazem com que a defesa seja um de seus melhores amigo, criando ciclos de combate satisfatórios.
Outro sistema que melhora ainda mais à progressão e sua acessibilidade são os artefatos e modificadores. Os modificadores são responsáveis por transformar completamente o modo de jogo, permitindo que o jogador facilite sua vida aumentando seu dano, ganhando uma nova segunda chance e diversas outras coisas. E para quem busca uma jornada mais difícil, você pode aumentar o dano dos inimigos e dificultar o jogo ainda mais.
As batalhas contra chefes continuam sendo um dos pontos mais fortes da Housemarque. Em Saros, cada encontro exige domínio completo da esquiva, defesa e momentos de pressão contra chefes. Cada um deles possui padrões únicos e desafiam o jogador. Além disso, o jogo facilita a locomoção entre os biomas para enfrentar os chefes, trazendo teletransportes para todos cenários do jogo.
E claro, não podemos esquecer de falar sobre o Eclipse, ponto central da narrativa e da jogabilidade. Essa transformação afeta todo o ambiente e inimigos ao seu redor, tornando-os mais agressivos. Em compensação, as recompensas durante esses períodos são ainda mais valiosa. O jogo entre constantemente o dilema “risco e benefício”, mantendo a tensão elevada, mas incentivando o jogador a superar esses obstáculos.
Saros é um espetáculo visual. A Housemarque conseguiu criar um planeta fascinante e perturbador ao mesmo tempo. Carcosa está repleto de estruturas monumentais, paisagens alienígenas e fenômenos que desafiam a lógica. A direção de arte se destaca por trazer uma grande variedade de cenários e inimigos, dando identidade própria para a jornada de Arjun.
O combate é o ápice visual. A tela está sempre repleta de projéteis, explosões e partículas, tudo isso de forma que não comprometa a leitura da ação do jogador. A iluminação contribui para a atmosfera, alternando entre ambientes sombrios e paisagens com impacto visual.
No questico técnico, Saros é um primor no PlayStation 5. Mesmo em momentos de muita ação, o jogo não deixa o FPS cair e mantém seu desempenho estável. No entanto, é possível notar que algumas expressões faciais não foram tão bem trabalhadas, mas nada que estrague o primor do jogo.













Deixe um comentário